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As crianças pequenas ainda estão aprendendo a controlar suas emoções e a usar a fala para se comunicar. Muitas vezes são agressivas por não saberem resolver uma frustração ou insatisfação de outra maneira.
Ao deixarem seus filhos aos cuidados da escola e professoras, os pais sentem-se tranqüilos e confiantes, pois sabem que o ambiente é seguro e confortante para os seus pequenos. Mas, ao vir buscar a criança vem a surpresa: Meu filho foi mordido!
A primeira reação dos pais da criança que foi mordida é de impotência, pois não puderam impedir que seu filho passasse por essa experiência desagradável. Em contrapartida, a família da criança que mordeu também sofre constrangimento, pois sente-se envergonhada por não ter podido evitar essa situação, além de temer que o grupo de crianças e de pais estigmatizem a “criança agressiva”, acarretando no isolamento da mesma.
Entretanto, entendemos por reações agressivas não só a mordida, mas também o empurrão, o “apertão”, o beliscão, o puxão de cabelo, muito comum em crianças entre 2 e 5 anos de idade.
O bebê aprende a usar o choro como instrumento de defesa e comunicação de desconfortos. Posteriormente, ele aprende a usar as mãos, os dentes. A partir dos 2, 3, 4 anos a criança já começa a aprender outras estratégias, como por exemplo, falar que não gostou, que deseja brincar também com aquele brinquedo, fazer negociações (você brinca primeiro e depois me empresta), buscar a ajuda do adulto para resolver um conflito.
Dessa forma, aproveitamos situações como as citadas para ensinar aos nossos alunos novas estratégias de resolução de conflitos. Dizemos ao agressor que este não é um comportamento aceitável, que há outras formas de mostrar seu descontentamento ou de conseguir o que deseja. Tentamos também envolver a criança no cuidado com a aquela que foi agredida. Isto porque, muitas vezes, o motivo da agressão é uma defesa ou uma explicitação de um desejo e não uma tentativa de machucar. Ao ver o colega chorar é comum a criança agressora se surpreender, pois não imagina que poderia machucar, uma vez que esta não foi a intenção. Ao ser convidada para pôr gelo na mordida do colega ou ajudá-lo a levantar depois de um empurrão, damos à criança a possibilidade de se responsabilizar pelo que fez, percebendo que esse tipo de ação requer um “reparo”.
À medida que a criança vivencia diversas situações e experiências (agradáveis e desagradáveis) ela vai aprendendo outras formas de se expressar e acaba deixando as mordidas de lado. Se isso não começar a acontecer a partir dos 3 ou 4 anos e a criança continuar a usar a mordida com freqüência para aliviar tensões, é melhor que a família fique atenta, pois a partir dessa idade mordidas demais sinalizam agressividade sem controle, necessitando de ajuda e orientação de um profissional.
Portanto, as mordidas são uma fase passageira. No entanto, mesmo que pareçam de brincadeira e não machuquem ninguém, não devem, jamais, ganhar aprovação. Caso contrário, a criança pode pensar que o que fez é bom. Palavras como "dói" e "não pode" são a melhor reação para orientar a criança a não morder. Alongar as explicações não adianta, porque a criança muito pequena ainda não as compreende.
Seu filho morde porque...
Está insatisfeito e quer mostrar isso;
Quer demonstrar força e ver a reação que provoca;
Não tem vocabulário suficiente para se expressar.
Você deve...
Conter tal comportamento sempre, impedindo que ele morda;
Dizer a ele que isso pode machucar as pessoas;
Procurar orientação se as mordidas se tornarem rotina.
Autor: Serviço de Psicologia
Psicóloga Renata Gomes
NSC
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